O que você espera de um restaurante japonês?Devemos lembrar que a comida nipônica vai muito além do sushi e sashimi. A cozinha “quente”, quando bem executada, costuma ser esplendorosa.
Serei eterno órfão do A1, restaurante japa com pinta de boteco, com nada mais que um balcão, por trás do qual Mestre Shin cozinhava com o maior talento. Lá tinha rabada com ponzu, língua e outras delícias.
Hoje os japas que mais freqüento são o Bueno e o Kaburá. Em nenhum dos dois o forte é sushi. Inclusive, no Bueno não serve sushi e nem saquê. Lá o forte é shochu e barriga de porco!
O Kinoshita costumava ter, além dos excepcionais sushis, uma cozinha primorosa. Mas nas TRÊS últimas visitas minhas nem o sushi estava bom. Saí de lá meio sem graça, chateado e com a impressão que meu amigo Murakami, por algumas vezes, dá muita liberdade para sua jovem brigada que nem sempre sabe a aproveitar da melhor maneira. Inconstância não é bom em nenhum lugar, mas a tolerância diminui em um dos restaurantes mais caros do Brasil, que deveria ser mais profissional, em minha insignificante opinião.
Meu sushi preferido se serve no Shin-Zushi que, aliás, tem uma cozinha quente muito respeitável. Mas nem sempre tenho grana suficiente para lá comer, de maneira que quando quero apenas sushi e sashimi vou ao Sendai, na Liberdade e ao Hamatyo, em Pinheiros. Ambos são muito, mas muito bons.
E um japa, com uma pegada mais contemporânea, que também tenha sushi e sashimi e seja mais regular (e não tão caro) como o Kinoshita? Tem?
O grande Shin, do saudoso e já citado A1 comanda com maestria o Aizomê.
É um barato sentar no balcão, sempre do lado do ótimo sushiman Sassaki e comer o menu degustação, acompanhado de uma garrafa de bom shochu.Em minha última visita, além do gordo sushi de bijupirá e o indispensável sashimi de torô, comi outras coisas memoráveis.
Como o ceviche de robalo com pitaya e o linguado com uni e shissô crocante.
É necessário mencionar que o Shin é o único japa macho o suficiente para NÃO servir salmão em sua casa e só por isso já tem um crédito enorme!
Da cozinha saiu um saboroso tataki de mignon com foie gras e figo e um excepcional tempurá de baiacu. Além do já tradicional magret de pato com pimenta verde.
Mas o melhor da noite foram as suculentas vieiras com lichias, sobre uma cama de purê de batata com wasabi.Pra beber, reinou soberano um shochu de sobá poderosíssimo.
As sobremesas, como o cheese cake e o tiramisú de tofu fecharam de maneira perfeita a refeição!O menu degustação completíssimo sai por 150 pratas e tem ingredientes e técnica que fazem valer a pena o investimento. Se não quiser gastar essa quantia a dica é ir no almoço, que é bem mais em conta.
Se você gosta de um bom japa, faça sua reserva no balcão (peça ao lugar ao lado do Sassaki) e se divirta!
Aizomê
Rua Fernão Cardim, 39 (entre a Joaquim Eugênio de Lima e a Brigadeiro)
Fone - 3251-5157




