sexta-feira, 30 de julho de 2010

Almoço de quinta

Tenho priorizado textos nos quais indico bons lugares pra comer e beber. Além de ser muito mais gostoso de escrever e espero que também de ler, estou com o saco na lua de comprar brigas que não são minhas com gente que mal conheço. Nesse mês de julho mesmo, tirando uma pequena citação ao cada vez mais famigerado Comida di Buteco, não falei mal de ninguém, muito pelo contrário. Continuarei assim.

E nesse mês também, mais precisamente no último post, contei com a participação especialíssima do Eduardo Goldenberg, em um bonito texto sobre os botequins tijucanos. Pra agosto, prevejo pelo menos mais duas colaborações de peso. E assim o blog vai ficando mais dinâmico e com mais qualidade. Pelo menos essa é minha intenção.

Mas, como tem coisa que não agüento, além de dar esse confuso balanço de fim de mês para os leitores, quero também compartilhar como foi meu almoço de quinta na última quinta. Quem me acompanha pelo twitter já sabe um pouco da história.

Antes que me perguntem o porque de eu ir à tal lugar, explico que um amigo estava afim de comer paleta de cordeiro, e como já comi uma excelente no Arturito, e a super talentosa Paola Carosella presta consultoria à casa com nome de árvore, liguei para o restaurante e perguntei se serviam o prato. Me responderam que nesse dia justamente a paleta era a sugestão da chef. E fomos almoçar!

O couvert terrível, com pães pesados e mal fermentados antecedeu as entradas: uma salada caprese com desequilibrada abundância de folhas e um insosso ovo caipira com batatas.

Perguntei ao ineficiente, porém gentil garçom se a paleta era individual (já que há mais de uma maneira de a servir) e ele respondeu que embora seja bem servida, é individual sim. Ao notar a falta de costelinhas suínas no menu, perguntei também se não tinha nenhum outro corte de porco, e o mesmo me deu uma divertida resposta: “Porco é só na feijoada às quartas e sábados”. Então tá! Paleta para o amigo e polvo e lula na brasa para mim.

A paleta, que foi pedida ao ponto para mal e veio cozida em excesso, simplesmente chegou inteira em um prato enorme, para o constrangimento meu e de meu amigo. O prato, que o garçom disse ser individual, daria para um exército afegão se alimentar. E estava um tanto ressecado.

A lula e o polvo, que também passaram do ponto, estavam sobre uma descomunal salada com muito, mas muito abacate. Uma verdadeira montanha verde, que parecia produzida por um estudante de educação artística da terceira série do primeiro grau, ou coisa que o valha.

Comemos o que deu pra comer, E não terminei de tomar minha cerveja que ficou quente por ter sido armazenada em um balde com água, em vez de gelo. Inclusive reclamei disso e o gentil garçom, além de não a cobrar, mandou uma taça de vinho do porto como cortesia para “compensar”. Claro que preferiria boa comida e atendimento eficiente, mas parece que ambos estão em falta no Figueira Rubayat.

Perguntei sobre café à um garçom e o mesmo disse que só tinha Nespresso. Meu amigo pediu um. Perguntei à outro garçom, o que trouxe o Nespresso do amigo se só tinha Nespresso mesmo, e ele informou que também tinha Illy e Orfeu. Estranhei isso, mas pedi um Orfeu, que veio queimado e com um creme ralinho de dar dó.

A conta? Com couvert, duas entradas, dois pratos, uma água, um refrigerante, um Nespresso e um café bateu inacreditáveis duzentos e cinqüenta mangos.

Aliás, conta paga com cheque, já que o Seo Iglesias, em uma atitude ridícula, provavelmente vinda de uma porca captação de recursos, como se precisasse disso, não aceita cartões da redecard.

Tem coisas que nem o mastecard paga...

23 comentários:

Marcellus® disse...

Eu já passei por um caso parecido na primeira vez que fui com minha namorada ao Sujinho. Nenhum cartão e só dinheiro é complicado. Eu odeio andar com dinheiro no bolso, só uns trocados para alguma emergência. Ainda bem que no nosso caso a comida estava muito boa e o atendimento foi simpático, apesar de estar meio cheio.

Rodrigo disse...

Julinho, tive ontem uma experiência bem semelhante à sua. Só que no jantar. Foi o meu jantar de quinta. Combinei com um grupo de amigos em um restaurante que estava com 1h30 de espera. Alguém então sugeriu o Mercearia do Conde. Não me animei nem um pouco, mas não queria causar polêmica, o importante era o encontro de amigos que não se viam há algum tempo. Antes tivesse falado alguma coisa e evitado a lamentável experiência. Pedi um filé mignon, que era supostamente um dos principais pratos da casa. O garçom perguntou o ponto desejado da carne. Pedi mal passado. Em vão. A carne veio sem nenhum tom de vermelho em seu interior, eliminando qualquer possibilidade de sabor. (Por que perguntar o ponto desejado se vão fazer bem passado de qualquer maneira?) O serviço era desatento. A cada pedido era preciso abanar as mãos pra ser notado por um garçom. E o pior, quando perguntados se os pratos eram individuais, os garçons afirmavam categoricamente que sim. Mas sem exceção, todos os pratos pedidos na mesa, até mesmo as saladas, davam pra duas pessoas comerem muito bem. Não escrevo para reclamar do restaurante em si, pois não esperava nada diferente dele. O que me deixou revoltado mesmo foram os abusivos preços cobrados por cada um destes itens. Ao abrir o cardápio, a minha primeira intenção foi de pedir um nhoque de mandioquinha. Mas como pagar 43 reais por um prato de massa ao sugo? O filé solado me custou 56 paus. E o restaurante estava praticamente cheio, com quase todas as mesas ocupadas. Infelizmente, essa não tem sido uma situação muito incomum na restauração paulistana. O que acontece?

André disse...

ePor incrível que pareça estive no mesmo restaurante na última terça feira ,éramos quatro ,pedi a lula com polvo ,um amigo pediu a paleta ,e os outros pediram peixe.Não comi os pães ,mas o prato de lula,polvo e a salada com abacate foi a coisa mais sem graça que comi nos últimos tempos.Por outro lado ,a paleta nos chamou atenção pelo tamanho ,enorme ,daria para um batalhão de esfomeados ,veio seca e obviamente bem passada.Os peixes estam bem feitos ,no ponto correto.Na noite anterior fomos ao Arturito ,comida gostosa ,mas o srviço é um desastre .Apesar de termos pedido o couvert ,ele só chegou com o prato principal.Não tolero excessos no atendimento,mas em nenhum momento ser lhe oferecido água ou vinho ,tudo tem que ser pedido ,é um pouco demais.

jb disse...

marcellus,

acho que se a casa é pequena e repassa para os fregueses o benefício, tudo bem não aceitar cartão.

mas a família iglesias e o seo sujinho vão muito bem, obrigado, né?

rodrigo,

que experiência horrível, não?

infelizmente enquanto tiver gente disposta a sair por pura ostentação, essas histórias continuarão a acontecer com frequência!

andré,

realmente impressiona como sua experiência no figueira foi parecida com a minha. e não vejo como coincidência, mas como reincidência.

já em relação ao arturito, vou lá com certa frequência e além da maravilhosa comida, sempre sou muito bem atendido. sinto muito pela sua história, não tão boa.

abraços!

Bigode disse...

Para comer carnes eu ainda prefiro ir num bom supermercado, comprar peças de qualidade e assar em casa. Depender dos serviços dos restaurantes para comer a carne no ponto desejado vai deixar-nos sempre desapontados. Senhor Iglesias deve rir da cara de cada um que chega no restaurante dele: "Peguei mais um pelo bolso. O paladar dele que se exploda".

mdv disse...

Bigode e Julinho, nunca estive lá, mas sempre me disseram, e as fontes são boas, que o Rodeio não nunca decepciona - no serviço ou nas carnes. Não é barato, mas comparando com os pratos que o Rodrigo relatou da porcaria da Mercearia... abraço

Akihiro disse...

Chef Julinho,

Tive uma experiência exatamente ao contrário no meu almoço de terça. Boa comida, bom atendimento com preço honesto. Almocei no Sinhá, conhece? Aliás o que eu mais gostei foi daquele ovo frito, adorei.

Abraços.

jb disse...

bigode e mdv,

o che barbaro serve umaa boa carne por um preço acessível.

e nunca erraram o ponto da minha.

akihiro,

muitíssimo obrigado pelas gntis palavras.

e seja sempre muito bem vindo!

abraços!

Verdelone disse...

Nossa... estranho d+ JB
Com relação ao "blog vai ficando mais dinâmico e com mais qualidade. Pelo menos essa é minha intenção"
Pode acreditar que SIM.
O texto tá excelente, detalhado, engraçado (pra gente, mas triste pra você...rs)
Eu e a Vânia quando terminamos de ler, a gente fica uma meia hora discutindo o assunto....
Abraços
Verdelone
CIA DOS BOTECOS - www.ciadosbotecos.blogspot.com

Verdelone disse...

Ahhh esqueci de falar...
Eu nunca peguei um balde de cerveja só com água. É pra reclamar mesmo...
Que saco!
Abçs
Verdelone
CIA DOS BOTECOS - www.ciadosbotecos.blogspot.com

jb disse...

verdelone,

tudo bem?

por aqui tento não me acomodar, me movimentar, para assim, melhorar sempre.

pois do contrário, a queda é inevitável...

obrigado pelos elogios! seja sempre bem vindo ao boteco!

abraço!

Patricia Lieko disse...

Julinho,
saímos de Goiás para a Paulicéia (minha querida terra) a fim de conhecermos o famosíssimo restaurante da Árvore!!
Depois do couvert (bem comum) e com alguns paes (bem comuns), pedimos o caixote de frutos do mar. O caixote ñ estava ruim, só estava comum tb. Assim como a infindável mesa de sobremesas e o expresso cheio de parangolés.
Minha expectativa em relaçao ao restaurante, à comida e ao serviço foi frustrada.
Às vezes acho que o paulistano come mal e paga demais por um modismo bobo.
Da Figueira Rubayat só me restou uma lembrança: a própria figueira.
Lieko

jb disse...

patrícia,

tudo bem?

acho que o figueira rubayat representa o que temos de mais ultrapassado em restauração no brasil.

tá tudo errado por lá.

e o pior é que realmente há quem goste.

nessa visita, os clientes em volta pareciam mais senadores romanos decadentes à espera da morte.

abraço!!

Belarmino Filho disse...

Prezados Julio, Patricia e Andre,
Lamento muito o desconforto causado na ultima visita que realizaram ao Figueira Rubaiyat.
Aceito com tristeza e humildade as falhas apontadas e tenham a certeza que estamos tomando as devidas providencias para que sejam sanadas imediatamente.
Uma vez mais, minhas sinceras desculpas.
Belarmino Fernandez Filho
belarmino@rubaiyat.com.br

Pedro Carvalho Pinto disse...

Realmente o Ruba já não é mais o mesmo, cresceu tanto que perdeu o chão. O Figueira que era para ser amado pelos paulistanos, hj em dia é frequentado em sua maioria por gente que não sabe comer (greengos) e garotas de programa.
Seus maitres usam aquela roupa ridicula e antiquada, sempre com cara de cansados.
Lá realmente só da pra comer carne de boi se for pra outra praça da cozinha vc sempre se dá mal.
Pedro

jb disse...

belarmino filho,

muito obrigado pela resposta.

poucos fazem isso.

a maioria prefere escrever outras coisas com outros nomes.

claro que está desculpado.

e nos mantenha informados sobre as melhorias da casa.

abraço!

Patricia Lieko disse...

Julinho,
quero registrar minha satisfaçao com a resposta do Belarmino. Como vc mesmo disse, poucos se importam com a opiniao de clientes. Estou contando que a Figueira tome providências.
Se possível, publique.
Agradeço muito.
Patricia

jb disse...

tá publicado, patrícia!

também gostei muito da resposta.

agora é aguardar pelas melhorias...

abraço!

Paola Carosella disse...

Julinho: A 10 anos atras, cheguei no Brasil para trabalhar com os Belarminos na apertura do Figueira, a 6 meses atras voltei para o Figueira para dar um carinho no cardapio e na cozinha, e é isso que estamos fazendo, aos poucos.
Aceito, como sempre, e igual que o Belarmino, de quem aprendo todo dia, com humildade e dor as criticas, sao todas validas.
Ja estamos trabalhando para melhorar as nossas falhas.
Obrigada! um beijo grande , nos vemos pronto. !
Paola Carosella

Rodrigo Rosas Fernandes disse...

Pois bem, eu sou o amigo convidado e que acompanhou o Julinho no restaurante da árvore, o qual costumava frequentar com maior frequência. Se pudesse, assinaria a impecável postagem como co-autor. Fico feliz ao ler que o restaurante está procurando se modernizar.
Rodrigo Rosas Fernandes

jb disse...

paola,

você sabe o quanto a considero e a a admiro profissionalmente.

além da óbvia competência e do enorme talento inquestionável, sei que você realmente se importa com seu trabalho e com os fregueses, ao contrário de tanta gente badalada que tem por aí.

quanto ao figueira, imagino que o desafio de arrumar a casa seja enorme, vista minha opinião sobre a mesma.

porquê não fazemos o seguinte: quando a casa alcançar um bom nível você avisa aqui, a mim e aos leitores desse modesto blog.

e, se quiser escrever um post sobre a experiência de arrumar essa casa tão grande e infelizmente, tão mal cuidada, considere meu espaço como seu.

ah! essa semana tentarei levar meu amigo (companheiro da batalha do figueira) ao arturito para comer seu esplêndido cordeiro.

um beijo enorme!

vitor disse...

Pro BotecodoJB, sobre os porquês: http://www.brasilescola.com/gramatica/por-que.htm

E pra Paola, sobre o verbo haver: http://www.brasilescola.com/gramatica/a-ou-ha.htm

Abraços!

#línguaportuguesa #gramática

jb disse...

vitor,

obrigado pelo toque.

já está corrigido!

quanto à paola, devemos considerar que ela é argentina e certamente faz o melhor que pode.

só por vir aqui e responder, já a respeito pra caramba!

abraço!