quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Casa da Mortadela



Minhas primeiras lembranças de pão com mortadela vem obviamente da infância, quando ao sair da escola passava na padaria e pedia pra um senhor que infelizmente não lembro o nome agora, fatiar bem fininho duzentos gramas da dita cuja e também três pãezinhos. Rápida passada no boteco, onde me abastecia de uma Tubaína daquela que não se encontra mais, old school, não com essa roupagem retrô, que se encontra em poucos lugares atualmente por aí, mas até quebra um galho. E tava feito o lanche da tarde, com TRÊS belos sandubas e 600 ml de refrigerante da melhor qualidade!

Pouco tempo depois ouvi dizer que bom era o sanduíche de mortadela do Bar do Mané, no Mercado da Cantareira, e apenas no começo da adolescência, com uns treze anos, provei aquele exagero descomunal, mal montado, enorme e assombroso. Que porcaria nojenta! Uma das minhas primeiras decepções gastronômicas. A outra foi o Mac Donald´s, mas essa é outra história que contarei em ocasião futura. E o pior é que boa parte do Mercadão se tornou uma espécie de praça de alimentação com cópias ainda mais vagabundas do lanche ASIAtico e também de um certo incomível, pesado e sequíssimo pastel de bacalhau.

Mas no início dos anos 90 gastava absolutamente toda minha grana na Galeria do Rock, mais especificamente na Aqualung, com cds de blues e classic rock. Nesses bons tempos não sobrava quase nada pra necessidades secundárias como alimentação, vestuário e saúde (que era de ferro!). Tava mais interessado em completar minha coleção de piratas japoneses do Deep Purple e conhecer blueseiros como o grande John Campbell, índio americano com voz de trovão que gravou três puta discos e depois se matou. Teve a sensibilidade de acabar com toda essa porra no auge. Se eu fosse capaz de compor uma obra prima, algo que realmente o valha, acho que faria o mesmo. Defendo o direito ao suicídio. Mas já que fui condenado pelos meus genes à mediocridade, continuo por aqui.


E foi nesse cenário roqueiro pós adolescente que conheci a Casa da Mortadela e o saudoso Rei da Calabresa, ambos na Avenida São João, ali ao lado da Galeria.

Essa semana voltei à Casa da Mortadela e constatei que tirando a lembrança do sanduba com gosto de infância sempre estará presente, o lanche de lá até hoje é o que me faz mais feliz. O que mais gosto vai POUCA mortadela cortada fina, duas fatias de queijo e um pouco do gostoso vinagrete que leva doze ingredientes. O chapeiro gente fina ainda coloca ao lado umas três fatias da gostosa lingüiça da casa ao lado do lanche. Tudo isso por R$6,50. Melhor impossível. Não cobram o serviço no balcão, mas é de bom tom deixar pelo menos um real de caixinha. Assim que o fizer alguém tocará o sino e todos agradecerão. Inclusive o dono, Seo Irineu, que tá lá há boas décadas e explica mais sobre a lanchonete no vídeo que postei logo abaixo. Chega a emocionar a paixão que esse senhor tem pelo embutido.

Além de meu lanche preferido, tem o de calabresa e de mortadela de tudo o que é jeito. Até cheese-mortadela tem. Pra beber, vá de meia cerveja, refrigerante ou suco de laranja espremida na hora. Tudo baratinho e muito bom!

13 comentários:

ana claudia disse...

Saudade...
Dos meus 14, 15 anos... cursava o Conservatório Dramático, ali pertinho.
Era sagrado: uma vez por semana, eu e um grupo de adolescentes com mochilas nas costas com o material escolar e a pilha de livros de música nas mãos, apreciávamos os sanduíches de mortadela (eu só gosto dela fria), bem fininha...
Hoje em dia gosto de comprar numa padoca, a Santa Micaela. O cara sabe como tratar esse embutido com respeito...

É isso aí JB! Bons tempos...

Boa quinta prá vc!

jb disse...

tudo bem?

concordo que fria, ela é ótima!

boa quinta pra você também!

abraço!

Anônimo disse...

Boa dica JB!
Acho que vou dar uma passadinha por lá hj mesmo.

Abraço!

Zabarov disse...

E o sanduba de calabresa com vinagrete????
É o meu preferido da cidade.

Outro q deixou saudades foi a Casa Califørnia q tinha umas linguiças e uns salsichões q eram de outro mundo.

Achei uma CasaCalifórnia outro dia numa quebrada do Centro, mas o sanduba de calabresa não fez nem sombra ao q era e nem ao da Casa da Mortadela.

Ainda bem q alguns estabelecimentos prezam a qualidade e a tradição e não caem nesse esqueminha babaca de "vamos atender pessoas mais selecionadas" e acabam matando a casa.

Abz, Chefia.

Alex Mecenas disse...

Faz uns 15 dias que fui lá também. Adorei. Estava num tour pelo centro de SP e levei minha namorada para conhecer a casa.

jb disse...

zabarov,

sempre que vou lá mato um de calabresa e outro de mortadela!

alex,

o centro tem muito lugar legal mesmo!

abraços!

Blog do Ernestão disse...

JB, conheci seu blog através do blog Buteco do Edu. Show de bola, pq une birita, rock'n roll e rango. Achei super 10 esta matéria do lanche de mortadela. Aqui em Campinas, tem um pé sujo tradicionalíssimo, chamado Bar do Vadico, que faz em X-miséria (mortadela com queijo minas) delicioso.
Gostaria que me permita, colocar este vídeo em meu blog, com os devidos créditos.

Abraço do Ernestão

Thiago Carvalho disse...

JB, seu post me deu um bom motivo pra passar por ali novamente. Sempre gostei muito de ir à Galeria do Rock, mas das últimas vezes que lá estive sai deprimido devido à quantidade de emos, e com a triste sensação de que aquilo virou mais um shopping center sem personalidade alguma. Quanto ao sanduba de mortadela do mercadão, concordo 100% contigo. O que dá pra fazer e pedir o lanche de pernil deles. Não é o melhor do mundo, mas ao menos da última vez que comi um estava honesto.

jb disse...

ernestão,

pode usar o vídeo sim.

thiago,

também já pedi o de pernil e não gostei não!

abraços!

Anônimo disse...

Parabens pelos comentarios.
Alguns apreciadores ja ousaram criticar as tais delicias(falsas) do mercadão.
Poucos, muito poucos, tão declaradamente.
Me deliciei com o comentario sobre aquele horroroso sanduiche de mortadela e o (lamentavel)pastel de bacalhau seco.
Obs.: (de quem frequenta o mercadão muito antes do atual modismo e das interminaveis filas)
O bar do mané faz, sim, bons sandubas, basta pedir aos "chapeiros".
Infelizmente o tal sanduiche virou folclore e se não for com aquela montanha horrorosa de mortadela, os "turistas" ficariam bastante frustrados.
Lauro.

YumiNaMesa disse...

Olá!
Legal este post da Casa da Mortadela! Quem me ensinou a comer esse sanduíche foi meu pai, que me levava lá quando eu era pequena... Naquela época eu não dava muita bola e não entendia por que raios meu pai me levava até lá pra comer sanduíche de mortadela num boteco feioso... rs Crianças são bobas as vezes, né?
Depois de muitos anos voltei lá para levar meu namorado que, de início, torceu o nariz para a mortadela na chapa com queijo e vinagrete... "Mortadela quente? Urgh...". Ele estava com vontade de ir no Ponto Chic provar o famoso bauru. Mas eu disse falei para ele dividir um sanduba de mortadela comigo, que depois eu iria ao Ponto Chic com ele... Hahaha! Não preciso nem dizer que ele encheu a pança de sanduíche de mortadela e de calabresa e nem quis mais ir comer o tal bauru... rs
Abraços!

jb disse...

boa história, yumi!

abraço!

Guilherme disse...

Nossa, duas semanas atrás estive na Santa Ifigênia e me disseram que havia fechado. Graças a Deus busquei na Internet e descobri que não estava, valeu!!! Fui lá hoje relembrar um passado de 12 anos. Sensacional... e o sanduíche de mortadela com queijo e vinagrete está só 6 reais...