terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mitsuyoshi

Assim como tem lugares antigos que não souberam envelhecer, que simplesmente ficaram datados, há quem saiba envelhecer, há quem se torne clássico.

O Mitsuyoshi se encaixa na segunda categoria, obviamente.

Embora o salão tenha concorridas mesas, melhor é ficar em um dos dois disputados e festivos balcões; um com boa comida fria, outro com excepcionais robatas.


Na parte fria, a oferta de peixe sempre é muito boa, podendo pintar prejereba, tainha, pargo, entre outras coisas. Inclusive muita coisa é pescada pelo próprio dono, o boa praça Pedro.

Enorme porção de excelente karasumi por apenas vinte reais alegra qualquer aldeão. E os sashimis são muito bem cortados, veja só que lindão o buri aí de baixo...


Sushis bons também, claro. Principalmente pela já citada grande oferta de peixes. Mas, respeitosamente, não considero o sushi como grande atração da casa.

De maneira que sugiro se sentar na frente do simpático robateiro e passar boas horas nesse balcão de responsa. Se quiser karasumi (que deve ser pedido!), sashimi ou outra coisa, peça para a simpática garçonete importar do balcão alheio, que ela cumprirá a missão com máxima eficiência.


Mas reforço que as robatas são excepcionais; seu apetite etíope deve ser preservado para essa inevitável batalha, em minha insignificante opinião.

Tratar bem o robateiro é primordial para necessário atendimento caprichado. Por exemplo, só ele pode te dar a valiosa informação de qual é a boa do dia.

Não sou fã do brócolis popularmente conhecido como ninja, o acho mais bonito que gostoso. Prefiro o outro, chamado por muitos de brasileiro, que no Mitsuyoshi é tratado com o maior respeito e ainda vem com delicioso alho por cima.


Algumas opções pedem saboroso missô (Arnaldo Lorençato escreveria que são coroados com missô), caso da berinjela, quiabo e da cebola, que é uma das melhores opções. Que cebola, cavalheiros! Que cebola!

Pra beber, shochus e sakes por preços acessíveis e difíceis de achar por aí. Se preferir cerveja, a Serramalte é bem gelada e acompanha bem a linguiça com pimenta. Oinc!


Tem época pra tudo - Luciana Fróes costuma dizer que algumas coisas são sazionais - e lembro a todos que sardinhas já começam a dar a cara por essas bandas paulistanas, inclusive no Mitsuyoshi.

Também é tempo de tainha, e além do ótimo karasumi do outro balcão (grande porção por apenas vinte dinheiros!), o robateiro grelha ovas frescas na hora, se essa for sua preferência.

A robata de pimentões vermelhos é deliciosa, irresistível e obrigatória!

Perninhas de lula são inevitáveis e o ovo de codorna vale muito a espera!


Com sorte, ainda pinta uma manjubinha...

Enfim, nesse balcão rola a verdadeira farra da robata! Tudo feito com esmero e carinho, bem diferente das catastróficas casas de espeto que ainda persistem em existir na cidade, mas felizmente sairam de moda!

Pra fechar o banquete, ideal é pedir porção de gostoso gohan, pra comer com furikake.


Tudo bom, saboroso e acessível aos mais diversos tipos de bolsos e paladares!

Diversão garantida, para gregos e baianos!

Puta balcão, desse clássico paulistano, o Mitsuyoshi!

Ah! Embora não goste muito de dar o serviço de lugares mais conhecidos (existe um site mais apropriado pra isso, o Google), sempre há quem pergunte endereços de logradouros, então aí vai: O Mitsuyoshi fica na Rua Dr. Rafael de Barros, 163, pertinho da Paulista.

13 comentários:

beto menoita disse...

boa dica, prezado JB. nao conhecia, mas vai pra lista! se me permite, vai uma dica, espero que goste.

trata-se de um japa no mesmo estilo roots do Mitsuyoshi. Fica em Moema, pertinho do shopping ibirapuera.

Chama-se yakitori e o nome não poderia ser mais adequado, apesar de ter outros muitos itens bem bacanas no (muy honesto) cardápio.
Incontaveis versões de fauna e flora nos ótimos espetinhos, brigada muito simpática, frequencia 80% da colonia, preços prá lá de amigáveis em bicudos tempos de adegas santiago e quetais(us$100 por cabeça na primeira e única vez que cai nessa)

resumindo, vai lá. no almoco rolam varias opções de teishokus a 25-30 mangos.
e valem cada centavo.

jb disse...

valeu pela dica, beto!

abraço!

Daniel Ávila disse...

jb,

não tem relação com esse post, mas eis um dos motivos porque há alguns lugares de comer nesta cidade pelos quais sinto cada dia menos curiosidade (nem se eu cagasse dinheiro):

http://www.descubraseuciti.com.br/

vc viu essa porra??!

abraço,

daniel ávila

Anônimo disse...

Amigos, este índio lhes pergunta, o que é karasumi?

abs,
Gustavo

jb disse...

daniel,

nem abri o link!

chega de tranqueira!

gustavo,

karasumi=ovas de tainha curadas à moda nipônica.

o italiano cura de outra maneira, e a isso chama de bottarga.

pessoalmente, gosto mais da versão japonesa.

abraços!

Daniel Ávila disse...

jb,

fizeste muito bem em não abrir o link! perdoe-me por tê-lo enviado, em primeiro lugar.

e pois é, como o gustavo, também eu nunca provei do karasumi. trabalho pertinho do mitsuyoshi, qualquer dia depois do expediente vou conhecer!

abraços,

daniel ávila

jb disse...

e o pior é que não resisti e abri o linque depois!

lamentável!

mas prove o karasumi, sim! (enquanto tiver tainha!)

abraço!

Daniel Ávila disse...

jb,

acabei de voltar do kido! já fazia uns bons 3 meses que não ia lá.

você, sem saber, me fez companhia no balcão, de onde pude bem visualizar sua bela garrafa de iichiko.

lá também tinha karasumi por vinte mangos, mas tinha acabado. já provou do de lá, é bom? acabou que fui de prego, sem erro.

abraço!

daniel ávila

Fábio disse...

fala jb!

você sabe se o Massanobu saiu mesmo do Miyabi??

abs.

jb disse...

daniel,

o karasumi do kido é ótimo, sim!

fábio,

haraguchi-san saiu do miyabi e está para abrir uma casa própria, na tomáz gonzaga!

abraços!

Daniel Ávila disse...

jb,

fiquei sabendo que o haraguchi san tinha saído lá do miyabi mesmo. que bom, no fundo, sair daquele shopping pra lá de esquisito! (nunca deviam ter tirado os restaurantes do subsolo...)

ah, este fim de semana fui conhecer o epice. sexta-feira fui com meu pai e polvo, esplêndido. precisei voltar no sábado com minha garota para ver qual era a do porco! puxa vida, que porco! (e a torta tatin?!) de fato, tudo lá era muito bem feito e fomos muitíssimo bem tratados. tomara que continuem assim, e que eu consiga voltar logo!

abraço!

daniel ávila

Daniel Ávila disse...

(aliás, sabe quando abre o restaurante do haraguchi, e/ou qual será o foco da cozinha?)

jb disse...

abrirá no próximo mês, e além da conhecida cozinha quente, terá balcão frio!

abraço!