sábado, 13 de agosto de 2011

Papel de bandido


Até quando restaurador paulistano fará papel de bandido, perante pseudo-elite de novos ricos que adoram tratamento supostamente rústico no estrangeiro, mas aqui exige taças bregas e caras, manobrista na porta, um garçom por mesa, entre tantas outras coisas que encarecem a conta final?

Jantar em São Paulo é mais caro que no chamado Primeiro Mundo? Sim! E por muitas vezes, é pior também.

Mas viver em São Paulo é mais caro que na maior parte do mundo! Ou um apartamento neo-jeca vale milhões de reais?

E táxi? Existe algum mais caro? Poderia passar horas dando exemplos...

Voltando à restauração, escrevo esse breve texto pra dizer que o Estado, por muitas vezes, também trata o restaurador como bandido.

Como se não bastasse nossa lei trabalhista de merda, onde o comerciante entra como réu por qualquer coisa, e inúmeros tributos, agora vem esse lixo paternalista da tal lei do couvert.

Será que o freguês não tem capacidade escolher sozinho se quer que seja servido o tal couvert? Precisa do Estado pra tarefa tão árdua?

O que vem agora? Agentes do governo farão uma marcha pelo couvert livre?

E quem fiscalizará isso? Clientes ocultos, pagos por nós, que darão um flagrante à qualquer deslize de um novo garçom? Imagino a cena...

"O senhor serviu couvert pra minha senhora, sendo que só eu pedi! E nem informou que além de pão, vinha alichela! Também não disse o valor! Pra delegacia, todo mundo! Cadê o patrão? Fugiu? Manda a viatura buscar o elemento!"

Garanto que é desejo da maior parte dos comerciantes trabalhar direito, na mais absoluta legalidade. Mas parece que transparência simplesmente não interessa pra quem tem algo a ganhar com leis obscuras, feita com quem não se importa com isso.

Pro governo, restaurador brasileiro é otário que paga 2534 impostos (inclusive em ingredientes) e também é um bandido a ser perseguido, isso não é de hoje.

E tem tanta coisa a mais...

A vida de quem tem um restaurante é simplesmente um inferno kafkiano!

Mas quem paga a conta é o freguês, que não tem nada com isso!

24 comentários:

leila disse...

olá. acho que tá mais que certo. gosto muito de tudo que você escreve. só que achei que restaurador não ornou. já é palavra que define a profissão de quem restaura objetos, obras de arte e construções antigas.

Caio V. Z. C. disse...

Caro JB,

Concordo em parte, discordo em parte.

Concordo que as exigências dos clientes e, mais que isso, a disposição que eles têm em pagar uma conta alta por comida sem-vergonha num restaurante "para ver e ser visto" é de fato a maior forçante dos preços ladeira acima em São Paulo. Já tive a sorte de morar um tempo fora do Brasil e concordo totalmente sobre como aqui se paga mais por menos em quase tudo.

Porém eu discordo sobre a sua crítica à lei em si ou ao seu teor. Posso estar sendo precipitado por não ter lido o texto integral da coisa, e sim apenas a notícia dada pela Folha, mas no fim das contas me parece mais um daqueles casos em que se faz a "lei da lei". Já existe uma regra, mas como não pegou, se faz a lei nova, porque "aí sim, vai pegar", o que mostra que temos leis demais e aplicação de menos. Digo isso, porque segundo a matéria, a exigência legal de preço do couvert no cardápio e a cobrança apenas do que é pedido (e não do que é oferecido), já existem.

Sou contra a tutela, também acho que o cliente é livre para escolher, mas desde que saiba quanto custa, para isso basta que o valor apareça no cardápio. Transparência total, dos dois lados. Para mim, é simples perguntar quanto custa e recusar se eu achar que devo(apesar de já ter ganhado muita cara feia e uma vez até uma ceninha), mas há quem se sinta constrangido...e certamente há abusos. Essa história me lembra aqueles carrinhos de sobremesa de quando eu era pequeno, ou então o "especial do dia", cujo preço nunca aparece no cardápio, só na conta...

Não acho que precisemos de deputados para isso, na verdade acho que não precisamos deles para quase nada no atual andar da carruagem. Bastaria um pouco mais de transparência e só.

Desculpe, mais uma vez, por me estender tanto.

Um abraço

Caio

Daniela Bravin disse...

ainda bem que na cidade de são paulo, a saúde é eficiente, a educação é exemplar e moradia, de qualidade, é para todos! sendo assim sobra tempo para criar medidas de menor, ou nenhuma, importância.

jb disse...

leila,

usei um termo técnico, mas pouco fluente, mesmo.

caio,

justamente...

não precisamos de deputados pra decidir se queremos couvert, ou não.

dani,

obrigadíssimo pelo seu comentário!

abraços!

Victor Beltrami disse...

Prezado Jb.

Eu tb acho que não precisamos de deputados para decidirmos o que vamos comer e o que vamos pagar, mas tb acho que existe um pouco de abuso do outro lado, do restaurador. Muitas vezes são exceções, mas talvez possa corrrigir estas incoerências.

Continue o excelente trabalho!

Sds.

Victor
http://balaiodovictor.blogspot.com

@___regis disse...

A Lei do Covert é ótima. Ruim é o restaurador que empurra o produto na clientela sem perguntar e sem informar claramente o custo. Se o cliente sabe decidir, então deixemos a decisão com ele, sem empurrar produtos goela abaixo.

mdv disse...

É mais uma lei estúpida, e vai sobrar para os clientes, e é bem feito, porque muitos estimulam e apóiam babaquices como esta. Lembra da lei que acabou com a consumação mínima? Pois é. Eu costumava ir com a minha ex-mulher ao All Black e nós, sem calcular, sempre consumíamos o que era sugerido. Com a lei, a casa simplesmente passou a cobrar uma grana pela simples entrada, o que inviabilizou o programa (ex: eu geralmente consumia 60 reais, a consumação mínima era de 40, e com a lei, passaram a cobrar 40 só para entrar). Viva a burrocracia brasileira!

Anônimo disse...

JB,

Os preços de couvert estão no cardápio...e se não tiver, o cliente pode perguntar ao garçon. Por que ter constragimento nisso? Eu sei de onde vem cada centavo que ganho.
No chope, não há isso. Sabe aqueles bares que rodam chope quente, depositando-os nas mesas? Será que terá que ter uma plaquinha com o preço? Alguém se sente constrangido em dizer não para o chope?

É o fim da picada...tenho comigo que mais Estado...mais corrupção...mais direito coletivo, menos o direito INDIVIDUAL, o qual acredito que se baseia uma democracia baseada no ESTADO DE DIREITO.

O empresário no Brasil sempre é tratado como bandido, assim com os produtores rurais. Aqueles que empregam os "trabalhadores", como que quem gera os empregos não trabalhasse...

stephan disse...

a COALHADA de couvert continua gratis,rs,Bravo JB,bj

jb disse...

victor,

sim, há quem abuse.

mas acho que cabe ao consumidor ver isso.

e obrigado pelo elogio!

regis,

tá registrada sua opinião!

mdv,

viva!

anônimo,

concordo com tudo!

stephan,

se tirar a coalhada na faixa, me suicido!

abraços!

Caio V. Z. C. disse...

Bom, vamos lá. Achei o texto do projeto, pra quem quiser ler e parar o disse-que-disse:

http://webspl1.al.sp.gov.br/internet/download?poFileIfs=22023961&/pl266.doc%22

A única diferença substancial que eu encontrei é que o serviço e a cobrança têm de ser individuais. Pra mim, totalmente desnecessário já que, em princípio, em uma mesa em que houvesse pessoas que não quisessem, bastaria não cobrar delas, mas também já ouvi falar de lugares em que ou todo mundo paga, ou nada. De resto, nada de novo: pôr o preço no cardápio e só cobrar o que se pedir. Havendo transparência de todos, não vejo problema algum...nem diferença da situação anterior, pra falar a verdade

Exatamente, JB, não precisamos de deputados para saber se queremos ou não, só precisamos saber o preço e o que vem.

E obrigado por publicar meu comentário anterior, apesar do tamanho e do teor. Bem diferente de muito "jornalista profissional" por aí.

Caio V. Z. C. disse...

E, mdv, discordo frontalmente da sua opinião. Se a entrada tivesse a mesma margem da consumação mínima e não o mesmo preço, o lucro da casa seria o mesmo.

O que faz a entrada ter o mesmo preço que a consumação tinha é a disposição das pessoas em pagar mais e não a lei proibindo consumação.

Saudações,

jb disse...

caio,

só não publico comentário, se achar que tem teor muito ofensivo.

e dificilmente me ofendo!

abraço!

Dom_Torresmo disse...

Se fosse a Fuvest eu ganharia uma fuga total do tema: Viva o couvert do Epice! Mas a culpa também é sua, quem mandou postar essa fotos dos belos pães deles... Ademais, acho que o Caio já disse tudo o que eu talvez dissesse.
Abraços!

jb disse...

o couvert do epice vale muito a pena ser pedido!

dos melhores!

e inclue água, durante a refeição inteira!

abraço!

Anônimo disse...

É coisa de retardado, mesmo. Quem tem $ para ir em restaurante que tem couvert, não tem o direito de ser tratado como idiota.

Anônimo disse...

Achei correta a lei. A grande maioria das pessoas de SP nunca entraram em um restaurante que ofereca couvert. Elas nao sabem que aquilo é cobrado, nem que podem recusar. É triste mas é a realidade do povao. Tem muito dono de restaurante querendo ganhar dinheiro a custa do constrangimento das pessoas. Voce mesmo JB uma vez comentou que achava errado o DOM oferecer as tacinhas de champanhe no inicio da refeicao e depois cobrar um absurdo por elas.

melo disse...

O Estado brasileiro trata o cidadão brasileiro como idiota que precisa ser tutelado em todas suas ações. Curioso que as preocupações se dão em matérias irrelevantes. Gostaria que tivessem a mesma preocupação com as escolas e com as crianças q estão fora dela.

jb disse...

claro que existem abusos.

meu ponto é que o estado não tem nada a ver com isso!

outra coisa...

o caso do dom (oferecer espumante e depois cobrar 100 reais por taça) é bem diferente, não?

abraços!

Adrina disse...

Não precisava existir essa lei estúpida se o Código de Defesa do Consumidor fosse observado. Aqui em BH estão propondo proibir copo de vidro em bares em boates... mais uma diarréia legislativa, como dizia um professor meu. Abraço!

jb disse...

vixi!

a coisa aí tá ainda pior, pelo visto!

que pena!

beijo, adrina!

Robert disse...

Parabéns pelo excelente e corajoso post.

Rafael Borges disse...

JB, minha saliva já secou de tanto criticar estes deputados e senadores... fora o Executivo, que é um bando de sem vergonha.

Os desembargadores e juízes seguem cada vez mais vendidos.

Só me resta elogiar seu post. Parabéns!

Mariangela disse...

Bom,eu moro na Espanha ,em Barcelona,e lhe digo que aqui é muito,mas muito mais barato para comer que em SP. O brasileiro é um povo que curte uma ostentação,adora mostrar o que não é, que tem o que jamais possui,mas isto é outra história..enfim, acho o fim da picada o que se sobra para comer no Brasil ,o Brasil se tornou um país caríssimo nos últimos anos e ainda digo que a comida aqui,no supermercado,(claro,tem algumas exceções como a carne,por ex.)já anda mais barata que aí.Aí me pergunto como o povo come..veja bem,estou falando de Barcelona,uma cidade mundialmente famosa e frequentada.O que me horroriza e muito é ver que que aqui são vendidos baratos como geléias,chocolates,etc,que aqui custam 1,50 euros, as vezes 0,90 centimos,aí no Brasa, o mesmo produto,é colocado como "artigo de luxo" para estes pseudos-gourmets.
Comédia né,para não dizer tragédia.O brasileiro paga o preço de sua metidez pois adora ostentar aquilo que não é.Bom,desculpe talvez a minha grosseria mas assim enxergo a situação aí.Abraço e adoro o teu blog e a tua sinceridade, uma pérola entre os porcos podes ter certeza!!!