sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Italy


Sei que já escrevi inúmeras vezes que, justamente por não ser crítico gastronômico, tenho liberdade total para ir onde quiser; dificilmente pago mico de ir em lugares novos nos quais não acredito, pois não tenho esse compromisso.

Mas acontece que gosto de atualizar o blog com novidades e, por conta disso, às vezes erro feio, embora tenha poucos, porém bons acertos por aqui.

Enfim, faço a mais olímpica questão de compartilhar com vocês, mesmo que de maneira breve, meu mais novo mico: a maldita visita ao Italy, nova casa de Paulo Barroso de Barros, do celebrado Due Cuochi.

A começar pelo couvert com dois tipos de pães pesados, duros e secos, que nunca deve ser pedido. Não daria esses pães nem ao mendigo do farol, que merece e deve ser tratado com mais dignidade.


De feioso carrinho metálico, saem opções de antepastos ASIAticos que nos remetem imediatamente às cantinas oitentistas mancianas horrorosas, com suas abomináveis versões para berinjelas e abobrinhas que morreram à toa. Avallone e Chico Lang talvez aprovassem as especiarias.

Meu prato principal foi espécie de porqueta gordurosa e gelada em seu centro, que acompanhava aspargos molengas e as batatas mais oleosas do mundo. Pra decorar a catástrofe, ridículo ramo de tomilho por cima, que estava mais perdido que filho de puta no dia dos pais.


O prato pedido por Senhora JB se tratava de patética tentativa de ravioli de mandioquinha com recheio de taleggio muito do ordinário. Como veio gelado, pedimos para esquentar. Quando voltou (morno), ela não comeu, não. Massa pesadíssima, ruim mesmo. Puta que pariu.

Ressalto que a casa teve a gentileza de não cobrar pelo prato não consumido, mas a essa altura nosso almoço já tinha ido pra casa do caralho. Puta situação desagradável.

Tiramisú gelatinoso e nojento antecedeu o intomável Café do Centro, que nem em centro de macumba deve ser servido. Como se não bastasse a má qualidade do grão, o café ainda foi pessimamente tirado, servido sem creme e com os petit fours mais desprezíveis da Galáxia, com direito a Madelleine mais dura que cimento queimado. Nem na Flor do Piqueri servem algo tão catastrófico.


Conta acima de cem reais, mesmo com um dos pratos retirados, em almoço sem bebida alcóolica, com apenas duas águas que, aliás, estavam quentes.

Se volto, para tirar a má impressão?

Nem a pau, Juvenal!

Ainda mais quando por menos dinheiro, almoço infinitamente melhor no Epice ou no Tappo, pra citar poucos exemplos.

Mas a casa estava lotada, com espera...

Até quando os paulistanos continuarão a celebrar casas supostamente boas e baratas, mas que servem esse tipo de lixo quase atômico?

Haja!

19 comentários:

Sergio Faria disse...

Julim, querido.

Obrigado pelas gargalhadas! Hoje o texto, além de muito porretcha, está divertidíssimo. Avallone, Chico Lang, cantinas mancianas, quaquaquaquaqua! Muito legal. Só faltou a companhia não tradicional do mau comércio pra completar os motivos de riso. Ah, e o guardabelo, manda-chuva das muchibas;)

O raminho de tomilho, como diria uma certa bichinha lorençata, coroa a tristeza toda e fecha o caixão. Funeral digno de cachaça rolando, piada comendo solta e mão na bunda da viúva.

Abração, caro cara.
Beijo e carinho pra dona Nice.
E olha: mulherão, a sra. JB, se vossa reverendíssima me permite:)

Sergio Faria
@catarroverde

Anônimo disse...

Tive a infelicidade de almoçar lá ontem. O serviço simplesmente não existe e acho que por este motivo você deixou de comentar a respeito. Pedi água por 3 vezes, até ser corretamente atendido. Ao servir o vinho, o somelier me deu a rolha, de plástico, contra a qual não tenho nenhum preconceito, para cheirá-la. E não é que não tinha cheiro de nada???

Gmt disse...

As vezes parece que certos "criticos gastronomicos" vivem em outro mundo, estranho que justo eles, com toda a experiencia e conhecimento que supostamente tem, deviam ser mais honestos...acho que todos tiveram pessimas mães/vó/tia cozinheiras.

Fernando Souza Jr. disse...

JB, nunca pisei lá, ainda bem! Repare que neste mesmo endereço funcionou uma filial daquela lanchonte General Prime Burger, uma das casas mais ladras do roteiro pseudo gastronômico de SP.Ou seja o logradouro da Oscar Freire está zicado! Abraço.

Carlos R disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
jb disse...

fala, sergio faria!

lorençato talvez dissesse que o tomilho coroa a porqueta escoltada de aromática batata com alecrim!

recado devidamente dado pra dona nice!

tá intimado a comer aqui em casa, quando ela melhorar!

e a senhora jb é um mulherão, sim sinhô!

pra alegria do gorducho, aqui!

puta abraço!

jb disse...

anônimo,

o serviço do italy é daqueles que aparece um garçom a cada trinta segundos, quando você não quer nada.

já se quiser algo, ele nunca vem.

gmt,

quem escreve bem desse lugar ou não gosta de comida gostosa ou tem interesse em manter boa relação com esse grande grupo, o que é lamentável.

fernando,

o italy pertence ao mesmo grupo do general prime.

burger não deu certo, vende macarrão supostamente barato que a paulistada jeca faz a festa!

carlos,

é difícil, mesmo.

mas tem uns dois caras bons por aí, acho eu...

abraços!

Fábio disse...

aí sim! um post com a cara do jb.
também fui ao Italy, fui bem atendido, mas comi muito mal. Culpa da preguiça que não me deixou subir até o Epice ou o Marcel.
parece que eles servem o que sobra lá na outra casa do Paulo, o Due(sendo que nem nessa ele consegue manter o padrão).
uma coisa eu sei, a esse recinto não voltarei.

Mariangela disse...

nossa,morri de rir com este texto(desculpe as risadas já que não estava em seu lugar e me dei mal hahaha) mas está genial de bem escrito,uma pérola!!Abraço!!

jb disse...

fábio,

pois não voltaremos juntos!

mariangela,

muito obrigado!

juro que vomitei esse texto em quinze minutos!

abraços!

Tadzio disse...

italy capa da prazeres da mesa em 3, 2...

Rango fight club tu não estás merecendo.

Abraço Tádzio

Sergio Faria disse...

Gmt,

Vc tá coberto (ops) de razão. Críticos gastronômicos, quase todos, senão todos mesmo, vivem em outro mundo:

O MUNDO DA GRANA, DO JABÁ.

Tão corruptos quanto blogueiros que promovem casas de amiguinhos e, num belo dia, todo mundo descobre que o cara comia e bebia de graça habitualmente nessas casas, vendido que sempre foi. É a falta de um ingrediente cada dia mais raro na praça, caro cara:

VERGONHA NA CARA.

Abração,

Sergio Faria
@catarroverde

Ricardo Reno disse...

Julinho, boa tarde!

Antes de mais nada estimo melhoras a sua mãe. Não fui ao Italy, mas como nunca achei o Due Cuochi lá estas coisas, compreendo exatamente o que você passou.

Pelo nível das coisas que tenho provado, e pago, por aí, faz-se muito melhor e mais barato em casa.

Abraços

Abraços

Anônimo disse...

Voce esqueceu de comentar sobre as Tvs de LCD cafonas mostrando a cozinha, parecendo que estávamos dentro de uma das fazes do filme " jogos mortais" !!!!
A TV ainda esta lá??

Comi bem, mas o serviço foi péssimo

jb disse...

ricardo,

obrigado!

e, ultimamente, ficar em casa tem sido bom negócio, mesmo!

anônimo,

positivo!

a ridícula tv permanece no recinto.

abraços!

Renato WSJ disse...

visitei a casa ontem no jantar. eu e minha noiva pedimos buta no shogayaki que eh de filet e outro de porco. desculpe, mas nada a ver com a foto do seu blog. veio tiras de carne finas, meio sem gosto. realmente me decepcionei com a casa.

jb disse...

renato,

acho que errou o post!

mas, de qualquer forma, sinto muito que tenha comido mal no ban.

não é a primeira reclamação que recebo.

uma pena!

abraço!

Ludo Fiori disse...

O Italy ainda possui a alma do GPBurguer, o cinza durepoxi ainda reside embaixo das folhas baratas de marchetaria. Cozinheiros crias de Bob`s, Viena. O projeto foi feito "nas coxas" e às pressas, com a clara intenção de vender farinha de trigo ao invés de carne suspeita Wessel.O rh é gerido por um ser incapaz de gerir uma barraca de feira e que deconhece a palavra login. O restaurante na verdade é mais uma macumba para alpinistas sociais e afins. Além de ser uma tentativa de empregar o falido chef Giancarlo Marchegianni (ex-terraço) que andava cozinhando pra fora as mesmas guloseimas florentinas que faziam o maior "burburinho" na idade média e agora chegam ao Italy. O Italy nunca será.

Ludo Fiori disse...

Ah, já estava me esquecendo. Esta empresa também abrirá em breve o Girarrosto, na Cidade Jardim onde funcionou o antigo Pandoro. Girarrosto é um forno tradicional italiano, semelhante à tv de cachorro. Mas cachorro mesmo é o chef que escolheram pra tocar essa bodega. O arrogante, pedante e também falido Maximo Barletti. Ele deveria se chamar Mínimo, pois não sabe sequer usar um forno Rational em suas funções mais básicas. Seus pratos são invariavelmente pesados, refletindo o life style dessa anta de dolmã e toque. Essa empresa me parece prestar serviços de reinclusão social. Afe Marie