O Marião (Bortolotto) diz algo como Não é a vida que a gente quer, mas sim a vida que a gente pode levar.
Qualquer hora dessas me conformo e acabo aceitando isso - será que fui inexato na citação? - mas, por enquanto, sigo na contramão, com o maior orgulho de minha ingenuidade. Existe limite para tolice?
Infelizmente 2011 não foi assim exatamente um ano agradável pra mim, e tem sido um tanto difícil manter o bom humor, desafio que enfrento, de frente, zombando da dita má fortuna, na cara dela, sempre que consigo.
Tenho aprendido a me virar sozinho, cozinhando muitas vezes apenas para mim mesmo e, às vezes, para dois, não mais que isso.
Caminhar à tarde por essas ruas lapeanas que fazem parte de minha mediana história cumpre bem o papel da terapia, especialmente pelos bons botecos que encontro no caminho, onde um salaminho alimenta corpo e espírito, desempenhando perfeitamente a função de almojanta.
Minha péssima memória não me faz lembrar quem disse que O bar é o hospital das almas, mas que a frase é bonita e efetiva, é.
Além dos chinelos, o fusca e o Tofu tem sido excelentes companheiros. Nessa altura do texto, me parece fundamental citar o carinhosíssimo apoio de Manuela, que não saiu do meu lado nem por um minuto, nos momentos mais delicados.
Mas, voltando ao tema canino, até tenho considerado a hipótese de comprar um pug, apesar do real medo de que o cachorro se deprima com minha apatia e se jogue do décimo andar, aqui do prédio.
| tofusca |
Ando tão desligado que outro dia abri a porta do elevador pra uma moça oriental bonita e, na tentativa patética de ser gentil, perguntei, com voz impostada, qual era seu andar, no que ela respondeu, de prontidão, pouco amigavelmente: "Décimo, Júlio. Moro no 103, sou sua vizinha de parede há sete anos!"
Maior mico. A real é que nunca me dei muito bem com pessoas, sempre fui meio atrapalhado. Qualquer hora dessas, capaz de fazer como Salinger, me isolo e foda-se. Terrível será ficar sozinho, sem o talento dele, mas acho que encaro a parada, de boa, se necessário.
Lembro que nada é certo, o tempo é de pausa, de reflexão. Abrir um boteco, com uma comida na qual eu acredito, também é opção atraente, principalmente se o valor de locação dos imóveis diminuir uns 753%.
Aos poucos, volto a escrever por aqui, na maior parte das vezes, com o propósito de apresentar bons lugares, onde os donos trabalham por vocação, com o maior amor.
E também sempre que pagar um mico, em malditos comércios onde vendem comida como se fosse sapato, continuarei contando.
Flores aos artistas e pau na canalha!
Meu estado de espírito atual é melancólico.
Lembro que melancolia é diferente de depressão, que por sua vez não tem nada a ver com tristeza. Três coisas que embora sejam até próximas, são bem diferentes.
Curiosamente o blog tem tido o mesmo número de acessos diários, mesmo com pouquíssimas postagens, o que me anima a continuar, por mais um pouco, pelo menos.
De maneira que a verdadeira razão dessa breve e dispersa postagem é dar um OI a vocês e avisar que - na medida do possível - estou de volta.
A propósito, obrigadíssimo pelo carinho recebido nos comentários do post sobre minha mãe, e também via twitter.
Quanto aos poucos (mas bons e suficientes, que deram a maior força!) amigos, não escreverei nomes, pois tenho o temor de - lesado que sou - esquecer alguém, cometendo assim tremenda injustiça.
Bom, então aí vai...
OI.
Avante com a viga, moçada!
31 comentários:
Não te conheço por isso nem de longe sou sua amiga, mas sinto-me próxima acompanhando seus perrengues.
Te admiro demais, cara. Parabéns pelas palavras incríveis.
Continue com essa força, dá vontade de viver mais lendo isso.
Abração!
JB, meu abraço virtual, vindo de terras mineiras e de um coração capixaba. Vida que segue!
JB, não desista, seu blog é um dos pouquíssimos que tenho vontade de ler e confiança nas recomendações. Me identifico com a melancolia e a tedencia à solidão que você menciona no texto, mas sempre me consola pensar que em geral tudo isso incentiva a produção intelectual muito mais do que a constante felicidade. De qualquer forma, é certo que tudo, bom ou ruim, há de passar...
pra riba com a viga, porra!
boa sorte aí.
e não compra um cachorro, não. adote um, um viralata, até combina mais com vc.
lili,
que honra!
obrigadíssimo!
adrina,
abraço do tamanho da lapa, pra ti.
leo,
muito obrigado.
anônimo,
também tenho considerado a adoção de um viralata.
é que, nos últimos meses, o pug virou verdadeira obsessão.
nunca pensei que um cachorro poderia parecer tanto comigo.
quem conhece a raça, sabe do que falo.
abraços a todos!
Oi, Julio
Sim, eu, como um monte de gente, sempre volto aqui com ou sem post.
2011 foi um ano diferente pra mim, não digo nem que ruim ou bom.
Li o post sobre tua mãe, pensei em comentar e não deu. Perdi meu pai nesse ano também, agora em agosto e não encontrei vontade pra comentar ali.
Sei que voce entende muito como é uma coisa complicada e particular, mexe com a gente de muitas maneiras. Enfim.
Escreva sempre, gostamos de te ler.
Sobre tua idéia do cachorro: tem uma série passando no FX chamada "Wilfred".
Tudo a ver com teu estado de humor ácido depre-cólico.
Eu prefiro baixar do que ficar na mão desses canais a cabo. Se vc - ou Manuela - tiveram saco, eis o link pra baixar tudo (só há uma temporada americana por enquanto):
http://www.warezlider.net/download/wilfred/
É isso.
baita abraço!
Força e adiante, JB! Seu blog, seu bom gosto e textos são foda, me dão maior vontade de pegar um busão aqui em Minas e sair explorando os bares(sim, os verdadeiros) de SP.
Grande abraço de mais um dos inúmeros leitores desse espaço tão legal.
ô, enio!
valeu pelas palavras gentis e pelo link!
e vê se me aciona, na próxima vez em que estiver em são paulo, para tomarmos uma (sem tomate seco, por favor)!
pedro,
não tem o porque!
você mora em um estado com botecos MUITO melhores, em minha opinião.
mas, obrigado pelas palavras.
abraços!
Boa JB,
avante com a viga;
Viva!
Dalmo
Tomando umas no bar do baixinho, lendo JB dando Oi. And so this is Xmas. Som na caixa cambada.
Luridi
avante, dalmo!
luridi,
o bar do baixinho, na lapa?
há uma cara não vou lá!
abraços!
JB,
Força!
Alguns momentos são assim mesmo, mas lembre-se daquele velho, mas sempre atual ditado: "Não há mal que sempre dure, nem bem que dure a vida inteira"
Blog ótimo como sempre.
Abração.
Pensei pensei pensei e continuo pensando em te dizer.
Tenho um carinho enorme por você . Só não te falo porque respeito sua solidão. Alem de tudo gosto muito de te ler.
melina e beatriz,
muitíssimo obrigado pelo carinho.
abraços!
Comente e não saiu, não faz mal, mas sei o que sentiu, acompanhei minha mãe na mesma situação na época do Montezuma. Agora é o irmão e sei que daqui à pouco tenho que estar constatemente ao seu lado. Ossos do ofício mas com prazer para as pessoas que amo. Vamos em frente e qq hora vamos tomar umas, ok? Abraços.
ô, zé!
não recebi nada, não, antes...
mas não importa!
dê um toque, quando puder tomar umas!
terei o maior prazer!
abração!
O próprio!
Bora lá, meu
sim, claro!
que boa lembrança!
abraço!
Oi Julio! :)
Jb,gosto muito dos seus comentários,um cara com culhones,mas não entendi porque retirastes o video?
dani,
OI!
amauri,
o blog não deixa de ser uma obsessão.
retiro (ou coloco) coisas, a toda hora!
abraços!
J, hoje comi a melhor coxinha da vida no Santa Marcelina, padaria da Vereador José Diniz, Sto Amaro. E olha que nao sou muito de coxinha, mas essa tava demais, já comeste lá? Abraço!
Caro JB,
meus pêsames pela sua imensa perda. Sigo seu blog, inclusive foi através dele que conheci alguns botecos do RJ (quanta ironia, um paulista me ensinando a conhecer minha terra). Enfim, eu quase perdi minha mãe este ano, e por sorte a encontrei caída e tive sangue frio para ajudar meu pai a levá-la ao hospital. Graças a isso ela está viva (engraçado que eu sou muito ansioso, mas nas horas cruciais sou muito calmo e centrado). Enfim, espero que você se recupere e quem sabe, possa montar um belo bar ou restaurante (seria o nome Dona Nice um bom nome e uma justa homenagem, já que parece ser ela a sua maior inspiração?). ABS
Ricardo S., belo comentário, abs M
mdv,
obrigado pela (devidamente anotada) dica.
ricardo,
saudade do rio!
bonita a história, da sua mãe!
que viva mais anos!
quanto à homenagem, de fato, no caso de um restaurante, pensarei a respeito.
bar, não.
mas obrigadíssimo pelo gentil comentário.
abraços!
chef julim, a arte que vem da melancolia e´das que mais me aprazem e das mais valorosas para a humanidade e e´talvez a forma mais singela de burilar os varios humores que da melancolia advem... adoro quando escreves pois sei que e´arte genuina e digo mais!!! se abrir o tal boteco de la´nao sairei e vou adorar passar o resto dos meus dias aprecisndo tua fina arte, sempre! te beijo, vizinho
obrigadíssimo, vizinha!
beijo!
pug para adoção http://twitter.com/#!/alesie/status/151380008475172865
valeu!
mas já dei minha palavra, com outro cão.
se fosse duas semanas antes, pegava esse.
mas meu apErtamento é muito pequeno, pra dois cães.
abraço!
Julio,
Força! A ladeira é íngreme, mas a vista lá de cima é demais.
PS: Onde fica esse balcão, com esses bancos!? Quero ir lá daqui 10 min tomar uma gelada! Haha.
Pô JB !
Acompanhei tudo pelo twitter e pelo seu blog. Chora seringa..., mas a vida segue e sei que é foda!
O que desejar no momento? Só muito torresmo e Rock'n Roll.
Abração
Ernestão
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